EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS PARA ALÉM DO ACESSO

  • BRUNO CESAR DOS REIS RODRIGUES UFG
  • Camila di Paiva Malheiros Rocha UFG
  • Lucas Martins de Avelar UFG
  • Rones de Deus Paranhos

Resumo

Este ensaio parte da necessidade de caracterizar o significado atribuído à escolarização de jovens e adultos pelo modo de produção capitalista. O objetivo do texto é refletir sobre a natureza da contradição existente entre a ampliação do acesso dos jovens e adultos à escola especialmente a partir da década de 1940, e o real conteúdo desse acesso, em termos das possibilidades formativas que oferece aos sujeitos.  A reflexão parte de autores que discutem a relação educação-capitalismo (ENGUITA, 1989; FRIGOTTO, 1993; KUENZER, 2005; 2007; MÈZSÁROS, 2008), EJA (MACHADO, 1997; 2008; 2019; RUMMERT; VENTURA, 2007; PARANHOS; CARNEIRO, 2019), e pedagogia histórico-crítica (SAVIANI, 2000; 2013a; 2013b; 2017; DUARTE, 2013), entre outros. As iniciativas governamentais que vêm se desenvolvendo nas últimas décadas tem contribuído com a consolidação de um projeto aligeirado de educação destinado à classe trabalhadora, fundamentado pelo pragmatismo utilitário exigido pelas demandas produtivas. A escola gestada sob a Teoria do Capital Humano tem a função de subalternizar os sujeitos à lógica burguesa de manutenção do status quo. Uma educação que se diga humanizadora deve originar-se da urgência histórica de escolarizar os jovens e adultos, munindo-os dos instrumentos (conceitos científicos) que lhes permitam ressignificar sua relação com a realidade. A concepção de EJA como direito deve constituir-se enquanto compromisso político e pauta incansável de luta daqueles e daquelas que têm a modalidade como campo de estudo, trabalho e investigação.

Publicado
2021-01-15
Seção
Artigos