Entre a cultura eclesiástica e a folclórica: a antropologia medieval de Jean-Cleaude Schmitt

  • Hugo Rincon Azevedo Universidade Estadual de Goiás

Resumo

Publicado recentemente no Brasil, o livro do renomado medievalista francês Jean-Claude Schmitt1 é essencial para os estudos culturais da sociedade do Ocidente Medieval. O historiador utilizou em seus textos uma vasta documentaçãooriunda principalmente de registros de clérigos, como o exemplum escrito por Étienne de Bourbon e a autobiografia de Guibert de Nogent, que são mencionados em vários ensaios, além de outras fontes como as autobiografias, os exempla, as mirabilias, etc. O autor problematiza três grandes questões que se constituem no cerne de seu estudo: o problema do conceito de religião aplicado a Idade Média, o historiador deveria denunciar as fronteiras entre a história religiosa e a possibilidade de refletir sobre o medievo em termos de religião. O segundo problema consiste em ampliar a pesquisa para o questionamento antropológico e comparatista dos conceitos utilizados pelos historiadores em relação à Idade Média, como a noção de sagrado. No terceiro, e grande ponto do livro, Schmitt tem a pretensão de quebrar esse modelo em dois níveis que privilegia o domínio da cultura eclesiástica sobre a “cultura popular”. A ênfase está na relação ambivalente entre a Cultura Erudita (eclesiástica) e a Cultura Folclórica (popular) e, principalmente, como as tensões entre estas marcaram a sociedade do Ocidente Medieval.

Biografia do Autor

Hugo Rincon Azevedo, Universidade Estadual de Goiás
Mestrando em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás
Publicado
2017-02-03