TEMPORALIDADES NEGRAS: MEMÓRIA TESTAMENTAL DA IGREJA DOS PRETOS DA CIDADE DE GOIÁS

Palavras-chave: Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Cidade de Goiás, História Negra Goiana, Dominicanos

Resumo

Analisamos, por meio documentos iconográficos, como a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (1734), construída pela Irmandade católica de pessoas escravizadas foi, historicamente, afetada pelas diferentes e sucessivas dinâmicas de embranquecimento executadas na Cidade de Goiás. No primeiro momento, mostramos a inserção do templo na malha urbana da antiga capital goiana. Em seguida, evidenciamos como a devoção rosarina praticada pelos escravizados foi impactada pela chegada dos dominicanos franceses, no auge do processo de romanização do catolicismo. Dentre as várias atitudes que consolidaram o projeto de reforma da religiosidade católica, no final do século XIX, o bispo dom Eduardo Duarte Silva decretou a extinção da Irmandade dos Pretos. A igreja do Rosário, até então sob a administração dos irmãos escravizados, passou a ser “reconhecida” como residência dos frades dominicanos franceses que se tornaram (1883) os administradores daquele templo e paróquia. Ao longo da década de 1930, os dominicanos demoliram o templo “preto” histórico e em seu lugar erigiram um novo prédio “branco” em estilo neogótico. Essa construção funcionou como pá de cal simbólica sobre a história da população negra no espaço público vilaboense e em sua memória e história.

Biografia do Autor

Euzebio Fernandes de Carvalho, Universidade Estadual de Goiás, câmpus Cora Coralina (Cidade de Goiás)

Professor de Didática, Práticas e Estágios em História, na Universidade Estadual de Goiás (UEG), desde 2010. Meus interesses de estudo, pesquisa, ensino e extensão relacionam-se aos ensinos/aprendizagens dos conhecimentos e saberes históricos, com concentração em: Reflexão Didática da História; Estágio investigativo em História; História e Linguagens (cinema e música); ensino/aprendizagem das Africanidades Brasileiras e Goianas; Educação e Diferenças. Entre 1999 e 2000, estive professor na Educação Básica, Ensino Fundamental e Médio, pela Secretaria Estadual de Educação de Goiás. Iniciei a docência no Ensino Superior, na licenciatura em História, na atual Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), como professor convidado de 2006 a 2010. Sou mestre em História (UFG/2008) com pesquisa sobre os sentidos da devoção de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Cidade de Goiás, fim do XIX e início do XX). Em 2005, Cursei a especialização em Formação de Professores e História Cultural (PUC-GO), mesma instituição em que fiz minha graduação em História, com licenciatura e bacharelado (de 1998/2 a 2002/1). Fui coordenador do subprojeto de História PIBID/CAPES (entre 2014 e 2018). Participei da direção da seção Goiás da ANPUH como secretário (gestão 2014-2015) e presidente (2016-2017). Coordenei Curso de Pós-Graduação Lato Sensu (especialização) Formação Docente em História e Cultura das Africanidades Brasileiras (2017-2018), na UEG Câmpus Cora Coralina. Estou como Gerente da Revista Temporis[Ação] (2015-atual). Estou como Conselheiro de Cultura do município de Goiás, representante das Instituições de Ensino Superior (IES) (2019-atual). Sou membro fundador do Coletivo Flores do Nim, coletivo LGBTQIA+ da cidade de Goiás (2014-atual).

Publicado
2021-12-15