AS LEITURAS DA OBRA DE ADOLF LOOS: ENTRE A TRADIÇÃO E A MODERNIDADE

  • Deusa Maria Rodrigues Boaventura UEG - Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Henrique Santillo, Anápolis – GO e PUCGO - Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia - GO
Palavras-chave: Adolf Loos; Aldo Rossi; Crítica e História da Arquitetura

Resumo

As interpretações do conjunto da obra de Adolf Loos, arquiteto vienense do início do século XX, apresentam significativas lacunas. Este fato está relacionado, inicialmente, a pouca atenção dada pelos críticos da arquitetura moderna, sobretudo Sigfried Giedion e Nikolaus Pevsner, que se dedicaram à análise de um número reduzido de obras e textos do vienense. Ante a isso, a historiografia moderna consagrada é marcada por uma superficial leitura da extensa produção de Loos. Esta condição será revertida a partir dos anos 1950 com os esforços dos arquitetos italianos que estavam empenhados em dar continuidade à tradição da arquitetura moderna segundo uma ideia de autonomia. Para tanto, revisitaram obras dos ditos “pioneiros da arquitetura moderna” e dentre eles encontra-se Adolf Loos. Nesse grupo, Aldo Rossi se destaca pela minudente pesquisa das obras e dos escritos do arquiteto vienense, que pode ser verificada nos artigos publicados pela revista Casbella Continuità e em seus dois livros Arquitetura da Cidade e Autobiografia Científica. Nesse rico material encontram-se as observações sobre a via marginal perseguida por Loos e no seu entendimento sobre arquitetura, com especial interesse sobre as questões do ornamento, da arquitetura privada e pública.  Essa leitura rossiana ainda versa sobre a compreensão da relação entre a arquitetura e a tradição, notada na aproximação com a arquitetura Clássica e com exame dos seus princípios compositivos e simbólicos. Esta aproximação pode ser observada nos seus edifícios habitacionais e públicos, a exemplo do projeto desenvolvido para o concurso da Torre do Chicago Tribune de 1922. Nos anos 1990, Panayotis Tournikiotis e Joseph Rykwert reafirmaram que as concepções teóricas de Loos não levavam em conta apenas a questão da tradição. Seu propósito foi conceber novas formas a partir do passado e da consideração do espírito do tempo. Sendo assim, estas seriam as referências para o homem moderno: uma linguagem arquitetônica, ao mesmo tempo, universal e expressiva.   

Biografia do Autor

Deusa Maria Rodrigues Boaventura, UEG - Universidade Estadual de Goiás, Câmpus Henrique Santillo, Anápolis – GO e PUCGO - Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia - GO
Professora Dra em Fundamentos e arquitetura e urbanismo. Doscente da UEG e PUC - Goiás.
Publicado
2020-11-20