“Seta Despedida”: vivendo como quem se despede de si e da vida

Renata Quintella de Oliveira

Resumo


A coletânea de contos, Seta Despedida, da escritora portuguesa contemporânea, Maria Judite de Carvalho, apresenta, simultaneamente, a crueldade e a delicadeza. Não se trata de uma crueldade explícita, manifesta através de "uma gota de sangue verdadeiro", mas uma crueldade do inelutável, implícita, expressa muito mais pelo silêncio do que pela fala, talvez muito mais cruel, segundo as reflexões críticas de Renato Cordeiro Gomes, ao referir-se a Artaud e Clément Rosset em Estéticas da Crueldade (Org. Ângela Maria Dias e Paula Glenadel, 2004). Por um lado, há a crueza desse tema denso, mas, por outro, há a forma através da qual este tema é desenvolvido: uma escrita singular, que opta por dizer o mínimo e o subentendido, para não perder a delicadeza e a leveza, como nos aponta Denílson Lopes em A Delicadeza: estética, experiência e paisagens (2007). Para este trabalho, analisamos o conto “Seta Despedida”, texto que abre a coletânea e a partir do qual todas as questões apontadas são problematizadas. Em nossa reflexão, além dos teóricos da crueldade já citados, faremos alusão também ao trabalho de Giorgio Agamben sobre o homo sacer: Homo Sacer I: o poder soberano e a vida nua.

Palavras-chave


Crueldade; Delicadeza; Seta Despedida; Maria Judite de Carvalho

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