AS TERRITORIALIDADES YANAMOMI:
MARGENS ENTRE A GEOGRAFIA, A LITERATURA E O DIREITO
Palavras-chave:
Território, Yanomami, Cosmovisão indígenaResumo
O artigo propõe uma análise interdisciplinar das múltiplas concepções de território sob a cosmologia do povo Yanomami, estabelecendo um diálogo crítico entre a geografia cultural, a filosofia do direito e a literatura de testemunho. A pesquisa estrutura-se a partir de uma perspectiva interseccional e decolonial, fundamental para desconstruir a visão hegemônica ocidental que reduz o espaço a uma mercadoria ou a uma delimitação administrativa. O ponto de partida é o embate jurídico-político contra a “tese de Copacabana” e a doutrina do marco temporal. O texto argumenta que tais dispositivos servem como ferramentas de apagamento histórico, pois o Estado brasileiro tende a interpretar o território indígena meramente como domínio físico e posse estática. Essa visão ignora o que Milton Santos denomina "espaço geográfico" como um sistema de objetos e ações, e o que Rogério Haesbaert define como a indissociabilidade entre o material e o simbólico no processo de territorialização. Assim, o artigo pretende desvelar que a luta Yanomami não é apenas por solo, mas pela validação de uma existência que desafia a lógica extrativista, reafirmando o território como o suporte imaterial da identidade e da resistência dos povos originários frente às pressões do capital.
Referências
ALBERT, Bruce; MILLIKEN, William. Urihi a: a terra floresta yanomami. São Paulo: Instituto Socioambiental/IRD, 2009.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Entre Noel e os índios. In:______. As impurezas do branco. Rio de Janeiro:Record, 1998.BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
ANDRADE, O. Obras completas, Volumes 6-7. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972).
BONNEMAISON, J. e CAMBRÈZY, L. Le lien territorial: entre frontières et identités. Géographies et Cultures. Le Territoire, n. 20. Paris: L`Harmattan, 1996.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
BRASIL. CF. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da República,. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 2 out. 2025.
BRASIL, STF. Supremo Tribunal Federal. Pet 3388 / Rr – Roraima Petição Relator(A): Min. Carlos Britto Julgamento: 19/03/2009 Publicação: 01/07/2010 Órgão julgador: Tribunal Pleno. Disponivel em https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/sjur180136/false Acesso. 24 jun 2025.
COCA Estevan Leopoldo de Freitas; FERNANDES, Bernardo Mançano (Orgs.) A questão agrária e coletivo de pensamento. São Paulo: Outras Expressões, 2014, p. 145-166.
BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. 10ª edição. São Paulo: Malheiros,2000
DUMANS GUEDES, André, Lutas por terra e território, desterritorialização e território como forma social. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, vol. 18, núm. 1, enero-abril, 2016.
FOUCAULT, Michel. A Microfísica do Poder. Organização e Tradução Roberto Machado. Rio de Janeiro, Graal, 22 edição, 2006
HAESBAERT, R. Des-territorialização e identidade: a rede “gaúcha” no Nordeste. Niterói: UFF, 1997.
HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização:do “fim dos territórios” à multiterritorialidade.Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
HAESBAERT, Rogério. O território e a nova des-territorialização do Estado, em: Dias, L. e Ferrari, M. (org.) Territorialidades humanas e redes sociais, Insular, Florianópolis, pp. 19-37, 2011.
KOPENAWA, ALBERT, Bruce, Davi. A queda do céu : Palavras de um xamã yanomami Tradução Beatriz Perrone-Moisés; prefácio de Eduardo Viveiros de Castro — 1a ed. — São Paulo : Companhia das Letras, 2015.
MARTIN, José de Souza. O tempo da fronteira. Retorno à controvérsia do tempo histórico da frente de expansão e frente pioneira. Editora Hucitec: São Paulo, 1997.
TAMIOKA NILSSON, Maurice Seiji. Organização indígena Yanomami: das ameaças ao seu território à representação política numa sociedade sem Estado. Agrária (São Paulo. Online), [S. l.], n. 9, p. 25–43, 2008. DOI: 10.11606/issn.1808-1150.v0i9p25-43. Disponível em: https://revistas.usp.br/agraria/article/view/144. Acesso em: 30 dez. 2025.
TAMIOKA NILSSON, Maurice Seiji. Mobilidade Yanomami e interculturalidade: ecologia histórica, alteridade e resistência cultural. Diversitas. São Paulo: USP. 2017
PONTES, B. M. S. Movimento de resistência socioterritorial nas terras indígenas Yanomami. Revista Movimentos Sociais e Dinâmicas Espaciais, Recife, V. 8, N. 2, 2019 (82-104)
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo; Razão e Emoção. São Paulo: Hucitec, 1999.
SOUZA FILHO, Carlos Frederico Marés de. O renascer dos Povos Indígenas para o Direito. Curitiba: Juruá, 1998.
SOUZA, Karla Alessandra Alves de. “A queda do céu”: o pensar decolonial na obra de Kopenawa Yanomami (1990-2015). Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019. 201 f.
THOMPSON, E.P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
VINHA. Janaina Francisca de Souza Campos. Território (I)Material E Geografia Agrária: Paradigmas Em Questão. In Revista Nera – Ano 16, Nº. 23 – Julho/Dezembro De 2013
WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1999.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 ReDiS - Revista de Direito Socioambiental (UEG)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
O(s) autor(es) concorda(m) e declara(m) que:
- forneceu(forneceram) informações exatas e verdadeiras e não criou(criaram) falsa identidade ou utilizou-se(utilizaram-se) de subterfúgios com a finalidade de enganar pessoas, instituições ou de obter benefícios de qualquer natureza;
- ele(eles) é(são) o(s) único(os) responsável(responsáveis) por toda e qualquer informação, estando sujeito às implicações administrativas e legais decorrentes de declarações inexatas ou falsas (Art. 298 e 299 do Código Penal Brasileiro) que possam causar prejuízos à Revista ou a terceiros;
- não utilizou(utilizaram) a revista para fins ilegais, ilícitos ou proibidos, que viole a privacidade ou direitos de terceiros, incluindo direitos autorais ou de propriedade intelectual.











