Uma leitura queer a partir da ordem de indexicalidade de gênero prevista em símbolos que representam o transtorno do espectro autista

Autores

  • Camila Capparelli UFG
  • Larissa Vieira Gomes Capparelli PUC/GO
  • Hélvio Frank UEG
  • Matheus Utim UEG

Palavras-chave:

Criticidade, Pós-modernidade, Queeridade, Transtorno do Espectro Autista

Resumo

Neste artigo, com base na performatividade linguística (Borba, 2014; Melo; Rocha, 2015), identitária (Blommaert, 2010; Urzêda-Freitas (2023) e de gênero (Butler, 2017), discutimos a ordem de indexicalidade de gênero (Bauman; Briggs, 2006; Blommaert, 2010; Ottoni, 1998; Silverstein, 2003) prevista no uso da cor azul em símbolos que representam Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a comunidade autista em geral. Nossa crítica é a de que a opção pela semiose que performa atribuição de pertencimento ao masculino acaba por mobilizar e reiterar binarismos e essencialismos de gênero em sociedade. Em face disso, acenamos para uma leitura queer como promissora para se fazer enxergar modos de organização da linguagem no que tange ao essencialismo identitário, à medida que se propõem cores generificadas para um distúrbio que acomete pessoas de uma comunidade formada por pessoas heterogêneas. Nessa direção, como alternativa, mobilizamos a condição pós-identitária e pós-estruturalista da linguagem na busca por materialidades que semioticamente performem sentidos menos excludentes e mais diversos e condizentes com a equidade de gênero.

Biografia do Autor

  • Camila Capparelli, UFG

    Licenciada em Letras – Português/Inglês e suas respectivas Literaturas pela Universidade Estadual de Goiás – Câmpus Cora Coralina (2017). Obteve o título de mestra pelo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Língua, Literatura e Interculturalidade (Poslli), pela Universidade Estadual de Goiás – Câmpus Cora Coralina (2020). Doutoranda em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail: camila.capparelli@hotmail.com. ORCID ID: https://orcid.org/0000-0003-1511-3481.

  • Larissa Vieira Gomes Capparelli, PUC/GO

    Graduada em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC/GO). Pós-graduada em Fonoaudiologia Hospitalar pelo Instituto Israelita Albert Einstein de São Paulo. Atualmente, trabalha em uma clínica privada, atendendo, principalmente, crianças com TEA. E-mail: fga.larissavieira@gmail.com.

  • Hélvio Frank, UEG

    Professor Titular de Linguística no Departamento de Letras da Universidade Estadual de Goiás, com doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Goiás (2013) e pós-doutorado pela Universidade de Brasília (2014). E-mail: helvio.oliveira@ueg.br. ORCID ID: https://orcid.org/0000-0002-0553-8075.  

  • Matheus Utim, UEG

    Licenciado em Letras – Português/Inglês e suas respectivas Literaturas pela Universidade Estadual de Goiás – Câmpus Cora Coralina (2016). Obteve o título de mestre pelo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Língua, Literatura e Interculturalidade (Poslli), pela Universidade Estadual de Goiás – Câmpus Cora Coralina (2021). E-mail: matheusutim@gmail.com. ORCID ID: https://orcid.org/0000-0002-8987-1624

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Publicado

13-01-2026

Edição

Seção

Pesquisadores/Pesquisadoras