Uma leitura queer a partir da ordem de indexicalidade de gênero prevista em símbolos que representam o transtorno do espectro autista
Mots-clés :
Criticidade, Pós-modernidade, Queeridade, Transtorno do Espectro AutistaRésumé
Neste artigo, com base na performatividade linguística (Borba, 2014; Melo; Rocha, 2015), identitária (Blommaert, 2010; Urzêda-Freitas (2023) e de gênero (Butler, 2017), discutimos a ordem de indexicalidade de gênero (Bauman; Briggs, 2006; Blommaert, 2010; Ottoni, 1998; Silverstein, 2003) prevista no uso da cor azul em símbolos que representam Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a comunidade autista em geral. Nossa crítica é a de que a opção pela semiose que performa atribuição de pertencimento ao masculino acaba por mobilizar e reiterar binarismos e essencialismos de gênero em sociedade. Em face disso, acenamos para uma leitura queer como promissora para se fazer enxergar modos de organização da linguagem no que tange ao essencialismo identitário, à medida que se propõem cores generificadas para um distúrbio que acomete pessoas de uma comunidade formada por pessoas heterogêneas. Nessa direção, como alternativa, mobilizamos a condição pós-identitária e pós-estruturalista da linguagem na busca por materialidades que semioticamente performem sentidos menos excludentes e mais diversos e condizentes com a equidade de gênero.
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