A conquista da terra é um endereço no mundo: a formação dos assentamentos rurais no Sudeste Goiano

Land acquisition as an address in the world: the formation of rural settlements across the Southeast of Goiás State

  • Rafael de Melo Monteiro Instituto Federal de Goiás/Águas Lindas
Palavras-chave: (Re)territorialização. Território. Assentamentos rurais. Sudeste goiano.

Resumo

O objetivo deste artigo é explicar a conquista da terra e a formação dos assentamentos rurais no sudeste goiano, enfatizando a experiência de luta pela terra vivida pelos homens e mulheres organizados politicamente. Trata-se de pesquisa qualitativa, desse modo, realizou-se investigação teórica, documental e de campo, centrada nas entrevistas semiestruturadas e nos registros fotográficos. Nosso recorte espacial abrange seis assentamentos: Assentamento João de Deus (Silvânia, 1987), Assentamento São Sebastião (Silvânia, 1997), Assentamento Olga Benário (Ipameri, 2005), Assentamento Madre Cristina (Goiandira, 2009), Assentamento Buriti (Silvânia, 2009) e o Assentamento Maria da Conceição (Orizona, 2010). Os assentamentos são produzidos como territórios camponeses porque vários indivíduos, homens e mulheres, e famílias ali se (re)territorializaram, representando um contraponto à agricultura capitalista predominante no sudeste goiano. Essa (re)territorialização foi possível pela ação política, junto aos movimentos sociais, sindicatos e federações de trabalhadores na agricultura familiar, e substantiva-se na produção material e subjetiva da vida, ao longo do tempo e na vida cotidiana.

Biografia do Autor

Rafael de Melo Monteiro, Instituto Federal de Goiás/Águas Lindas

Graduado, Mestre e Doutor em Geografia. Professor de Geografia no Instituto Federal de Goiás, Campus Águas Lindas.

Referências

Referências

FERNANDES, Bernardo M. A formação do MST no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2000.

HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.

IANNI, Octávio. Origens agrárias do Estado brasileiro. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2004 [1984].

INCRA, 1987. Serviço público federal. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Superintendência Regional do Centro-Oeste. Encaminha proposta de criação de projeto. 73.601-5. Memo/SR-04/Z/Nº. 042/87. Sigla G. Código 41260. Data 08/04/87.

______. Superintendência Regional de Goiás. Criação do projeto São Sebastião, município de Silvânia/GO. 73601.5. Memorando/SR-Z/Nº. 781/97. Sigla A-12; SR-04/Z-3; Z. Código 08541507; 08218943. Data 09/12/97. Número de identificação 54150.002167/97-16.

______. Serviço público federal. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Superintendência Regional de Goiás – PA Madre Cristina. Criação do projeto de assentamento Madre Cristina – imóvel rural: Fazenda Cachoeira do Veríssimo. 73601. Sigla T. Código 54150. Data 26/11/09. Número de identificação SR-04/GO 54150.002323/2009-90.

______. Serviço público federal. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. PA Buriti. Criação do projeto de assentamento Buriti, na fazenda Funil e Algodão, localizada no município de Silvânia/GO. 73.601. Memorando/SR-04-T/Nº 415. Sigla T. Código 54150. Data 10/09/09. Número de identificação SR-04/GO 54150.001780/2009-67.

______. Serviço público federal. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Superintendência Regional de Goiás – PA Maria da Conceição. Criação do projeto de assentamento Maria da Conceição – imóvel rural: Fazenda Campo Limpo e Barreiros. 73601. Memorando/SR-04/T/Nº81 Sigla T2. Código 54835. Data: 03/03/2010. Número de identificação SR-04/GO 54150.000522/2010-05.

______. Criação do projeto de assentamento Olga Benário/mun. Ipameri. 73601. Memo/T/410. Fazenda Ouro Verde. Sigla T. Código 54139. Data 09/08/05. Número de identificação SR-04/GO. 54150.001246/2005-27.

______, 2010. Mais conforto e qualidade de vida para assentados de Ipameri (GO). Publicado dia 08/02/2010. Disponível em: . Acesso em: 16/07/2016.

______, 2015. Relação de projetos de reforma agrária. Disponível em: . Acesso em: nov. 2015.

INCRA/GO, 2015. Blog do Incra Goiás – Os assentamentos em Goiás. Disponível em: https://incragoias.wordpress.com/distribuicao-dos-assentamentos-no-estado-de-goias/. Acesso em: 03 nov. 2016.

MARTINS, José de S. A sociabilidade do homem simples: cotidiano e história na modernidade anômala. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2008.
MATOS, Patrícia F. de; PESSÔA, Vera L. S. O agronegócio no Cerrado do Sudeste Goiano: uma leitura sobre Campo Alegre de Goiás, Catalão e Ipameri. Sociedade e Natureza, Uberlândia, ano 24, n. 1, 37-50, jan/abr. 2012.
MDA/INCRA, 2004. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Superintendência Regional de Goiás SR-04/GO. Divisão Técnica – SR (04)/T. Relatório de vistoria e avaliação. Imóvel: Fazenda Ouro Verde. Município: Ipameri-GO. Processo nº. 54150.001429/2003-81. Responsável técnico: David Ferreira Cavalcante. Perito federal agrário. CREA/MA-1.907/D. INCRA/GO. Setembro, 2004.

______. Divisão de obtenção de terras – SR-04. Laudo agronômico de vistoria e fiscalização nº. 095/07. Processo/INCRA/GO/nº. 54.150.002950/2007-69.

______. Serviço público federal. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Superintendência Regional em Goiás –SR (04). Divisão técnica – Laudo agronômico de fiscalização nº. 141/04. Resp. técnico engº. agrº. Gandhi M. Carvalho – perito federal agrário – CREA/GO – 1825/D. Imóvel: Fazenda Cachoeira do Veríssimo. Município: Goiandira/GO. Processo nº. 54150.001447/2004. Jan. 2005.

______. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Superintendência Regional de Goiás SR-04/GO. Divisão Técnica – SR (04)/T. Relatório agronômico de fiscalização. Imóvel: Fazenda Campo Limpo e Barreiros. Município: Orizona – GO. Processo nº. 54150.003409/2006-97. Responsável técnico: Roosevelt Candido de Siqueira. Perito federal agrário. CREA/GO nº. 3572-D. Dezembro, 2007. Laudo nº. 123/2007.

OLIVEIRA, Lívia de. O sentido de lugar. In: MARANDOLA JR., Eduardo; HOLZER, Werther; OLIVEIRA, Lívia de. (Org.). Qual o espaço do lugar? Geografia, epistemologia, fenomenologia. São Paulo: Perspectiva, 2012. p. 3-16.

PESSOA, Jadir de M. A revanche camponesa. Goiânia: Editora da UFG, 1999.

RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de Maria Cecília França. São Paulo: Ática, 2011 [1980].

SAQUET, Marcos A. Por uma abordagem territorial. In: SAQUET, Marcos A.; SPOSITO, Eliseu S. (Org.). Territórios e territorialidades: teorias, processos e conflitos. São Paulo: Expressão Popular; UNESP: Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2009. p. 73-94.

______. Agricultura camponesa e práticas (agro)ecológicas: abordagem territorial histórico-crítica, relacional e pluridimensional. Mercator, Fortaleza, v. 13, n. 2, maio/ago, 2014. p. 125-143.

______. Abordagens e concepções de território. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2010 [2007].

______. Por uma geografia das territorialidades e das temporalidades: uma concepção multidimensional voltada para a cooperação e para o desenvolvimento territorial. 2. ed. Rio de Janeiro: Consequência, 2015 [2011].

SILVA, Maria Aparecida M. A luta pela terra: experiência e memória. São Paulo: Editora da UNESP, 2004.

WOORTMANN, Klaas. Com parente não se neguceia: o campesinato como ordem moral. Brasília, Anuário Antropológico 87, Editora Universidade de Brasília/Tempo Brasileiro, 1990. p. 11-73.
Publicado
2021-04-15
Como Citar
Monteiro, R. (2021). A conquista da terra é um endereço no mundo: a formação dos assentamentos rurais no Sudeste Goiano. Élisée - Revista De Geografia Da UEG, 10(1), e101216. Recuperado de https://www.revista.ueg.br/index.php/elisee/article/view/9927
Seção
Artigos