Síndromes de dispersão da regeneração natural de uma área de cerrado sensu stricto e do sub-bosque de dois clones de Eucalyptus, Aliança-TO

Dispersal syndromes of the natural regeneration of a “Cerrado” sensu stricto area and two eucalyptus clones understory, Aliança-TO

  • Bruno Aurélio Campos Aguiar Universidade Federal do Tocantins
  • Bárbara Maria Martins Santos Universidade Federal do Tocantins
  • Priscila Bezerra de Souza Universidade Federal do Tocantins
Palavras-chave: Acessória ou peculiar. Caracterização ecológica. Grupos ecológicos

Resumo

O objetivo desse trabalho foi caracterizar a regeneração natural de uma área de cerrado sensu stricto (c.s.s) e do sub-bosque de dois povoamentos de Eucalyptus urocam (E. uc) e Eucalyptus urograndis (E. ug), além de comparar a síndromes de dispersão de diásporos, a sucessão dos grupos ecológicos e a classificação em espécies peculiar e acessória. Esse estudo foi conduzido na zona rural do município de Aliança – TO, nos limites da propriedade Nossa Senhora Aparecida (11”46’25 S; 49”02’54 W). As espécies foram classificadas pela síndrome de dispersão zoocórica, anemocórica, autocórica e nos grupos ecológicos classificando-as em pioneiras (P), secundárias iniciais (Si) e secundárias tardias (St) e não identificadas (Ni); fazendo por fim a classificação das espécies em acessória ou peculiar. Nas três áreas estudadas ocorreu predominância de espécies zoocóricas (55,4%, 70% e 63%), seguidas das anemocóricas (37,5%, 20% e 29,6%) e por fim as autocóricas (7,1%, 10% e 7,4%), assimilando uma forte relação entre a fauna e a comunidade local. Quanto aos grupos ecológicos da classificação sucessional, o grupo das pioneiras e secundárias iniciais foi o que mais se destacou (67,8% na c.s.s, 70% na E. uc e 69,6% na E. ug), caracterizando áreas em estágio inicial de sucessão. Ao classificar as espécies em peculiar e acessória foi constatado que nas áreas estudadas prevaleceu a ocorrência das espécies consideradas exclusiva ou expressivamente do bioma Cerrado.

Abstract: The objective of this work was to characterize the natural regeneration of an area of ​​cerrado sensu stricto (css) and undergrowth of two stands of Eucalyptus urocam (E. uc) and Eucalyptus urograndis (E. ug), as well as to compare the syndromes of diaspore dispersal, the succession of ecological groups and the classification into peculiar and accessory species. This study was conducted in the rural area of ​​Aliança - TO, within the boundaries of the Nossa Senhora Aparecida property (11 ”46'25 S; 49” 02'54 W). The species were classified by zoocoric, anemochoric, autocorric dispersal syndrome and in the ecological groups, classifying them as pioneer (P), early secondary (Si) and late secondary (St) and unidentified (Ni). accessory or peculiar species. In the three areas studied there was a predominance of zoochoric species (55.4%, 70% and 63%), followed by anemochoric species (37.5%, 20% and 29.6%) and finally the autochoric species (7.1%, 10% and 7.4%), assimilating a strong relationship between the fauna and the local community. Regarding the ecological groups of the sectional classification, the group of pioneers and early secondary was the most outstanding (67.8% in css, 70% in E. uc and 69.6% in E. ug), characterizing areas in stage initial succession. By classifying the species as peculiar and accessory it was found that in the studied areas the occurrence of the species considered exclusively or expressively of the Cerrado biome prevailed.

Keywords:  Ecological Characterization. Ecological Groups. Peculiar or Accessory.

Síndromes de dispersión de la regeneración natural de un área sensu stricto "Cerrado" y dos sotobosques de eucalipto, Alliance-TO

Resumen: El objetivo de este trabajo fue caracterizar la regeneración natural de un área de cerrado sensu stricto (css) y sotobosque de dos rodales de Eucalyptus urocam (E. uc) y Eucalyptus urograndis (E. ug), así como comparar los síndromes de dispersión de la diáspora, la sucesión de grupos ecológicos y la clasificación en especies peculiares y accesorias. Este estudio se realizó en el área rural de Aliança - TO, dentro de los límites de la propiedad Nossa Senhora Aparecida (11 "46'25 S; 49" 02'54 W). Las especies se clasificaron por zoocoric, anemochoric, síndrome de dispersión autocorric y en los grupos ecológicos, clasificándolas como pioneras (P), secundarias tempranas (Si) y secundarias tardías (St) y no identificadas (Ni). especie accesoria o peculiar. En las tres áreas estudiadas hubo un predominio de especies zoocróricas (55.4%, 70% y 63%), seguidas de especies anemocóricas (37.5%, 20% y 29.6%) y finalmente las especies autocróricas (7.1%, 10% y 7,4%), asimilando una fuerte relación entre la fauna y la comunidad local. En cuanto a los grupos ecológicos de la clasificación seccional, el grupo de pioneros y secundaria temprana fue el más destacado (67.8% en css, 70% en E. uc y 69.6% en E. ug), caracterizando áreas en etapa sucesión inicial Al clasificar las especies como peculiares y accesorias, se encontró que en las áreas estudiadas prevalecía la presencia de las especies consideradas exclusiva o expresamente del bioma Cerrado.

Palabras clave: Accesorio o peculiar. Caracterización ecológica. Grupos ecológicos.

Biografia do Autor

Bruno Aurélio Campos Aguiar, Universidade Federal do Tocantins

- Graduado em Engenharia Florestal e Mestre em Ciências Florestais e Ambientais pela Universidade Federal do Tocantins. Doutorando em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília. Professor substituto do Instituto Federal do Tocantins, campus Araguatins.

 

Bárbara Maria Martins Santos, Universidade Federal do Tocantins

Graduada em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Tocantins.

Priscila Bezerra de Souza, Universidade Federal do Tocantins

Graduada em Ciências Biológicas Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Mestre e Doutora em Botânica pela Universidade Federal de Viçosa. Docente da Universidade Federal do Tocantins.

Referências

APG – Angiosperm Phylogeny Group (2009) An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanical Journal of the Linnean Society, v.161, n.1, p.105-121, 2009

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Bioma Cerrado - 2019. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2019.

CALEGARIO, N . et al. Parâmetros florísticos e fitossociológicos da regeneração natural de espécies arbóreas nativas no sub-bosque de povoamentos de Eucalyptus. Revista Árvore, v.17, n.1, p.16-29, 1993.

CASTRO, A. A .J. F. Composição florísticogeográfica (Brasil) e fitossociológica (Piauí-São Paulo) de amostras de Cerrado. 1994. 520 p. Tese (Doutorado em Ciência Florestal) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1994.

CHADZON, R. L. Regeneração de florestas tropicais Tropical forest regeneration. 493 Boletim Museu Paraense Emílio Goeldi de Ciencias Naturais, v.7, n.1, p.195-218, 2012.

CORRÊA, R. S. et al. Levantamento florístico do estrato lenhoso das áreas mineradas no Distrito Federal. Revista Árvore, v.3, n.6, p.1099-1108, 2007.

FERREIRA, R. Q. S. et al. Uso potencial e síndromes de dispersão das espécies de três áreas de cerrado sensu stricto, Tocantins. Global Science And Technology, v.9, n.3, 2017.

FILARDI, F. L. R. et al. Padrões de distribuição geográfica de espécies arbóreas de Leguminosae ocorrentes no Cerrado. Revista Brasileira de Biociências, v.5, n.2, p.1116-1118, 2007.

FLORA DO BRASIL 2020 em construção – Lista de espécies da flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 23 dezembro 2018.

GANDOLFI, S. et al. Levantamento florístico e caráter sucessional das espécies arbustivo arbórea de uma floresta semidecídua no município de Guarulhos, SP. Revista Brasileira de Biologia, v.55, n.4, p.753-767, 1995.

GÓMEZ-POMPA, A. Successional studies of a rain forest in Mexico. In: West DC, Shugart HH, Botkin DB. Forest Succession: concepts and application. New York: Springer-Verlag Press, p. 247- 266, 1981.

HERINGER, E. P . et al. A Flora do Cerrado. In: Simpósio sobre Cerrado, 6, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte, Brasil, 1977.

HOWE, H.F. et al. Ecology of seed dispersal. Ann. Rev. Ecol Syst, v.13, n.1, p. 201-228, 1982.

IBRAM. Bioma Cerrado (2018). Disponível em . Acesso em 12 mar.2019.

LOPES, I. S. Dinâmica da regeneração natural em sub-bosque de Eucalyptus saligna Smith e Pinus caribaea Morelet. Var. Caribaea na Reserva Biológica de Saltinho, Tamandaré - PE. 2013. 121p. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2013.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 1/ Harri Lorenzi. 5 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.640p. 2008.

LOUMETO, J. J. et al. Understory vegetation in fast-growing tree plantations on savanna soils in Congo. Forest Ecology and Management, v.99, n.1, p.65-81, 1997.

MUELLER-DOMBOIS D. et al. Aims and methods of vegetation ecology. New York: J. Wiley.547p. 1974.

NERI, A.V. et al. Regeneração de espécies nativas lenhosas sob plantio de Eucalyptus em área de cerrado na Floresta Nacional de Paraopeba, MG, Brasil. Acta Botanica Brasílica,v. 19, n.2, p.369-376, 2005.

ONOFRE, F.F . et al. Regeneração natural de espécies da Mata Atlântica em sub-bosque de Eucalyptus saligna Smith. em uma antiga unidade de produção florestal no Parque das Neblinas, Bertioga, SP. Scientia Forestalis, v.38, n.85, p.39-52, 2010.

PIJL, V.D.L. Principles of dispersal in higher plants. 3 ed. Springer Verlag, New York. 153p.1982.

RIBEIRO, G. P. M. et al. Regeneração natural em diferentes ambientes da mata de galeria do Capetinga, na Fazenda Água Limpa-DF. Cerne, v.15, n.1, p. 1- 9, 2009.

RIZZINI, C. T. A flora do Cerrado: análise florística das savanas centrais Simpósio sobre o Cerrado. São Paulo Edgard Blucher, EDUSP,1963.

SAPORETTI JR, A. W. et al. Fitossociologia de sub-bosque de cerrado em talhão de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden no município de Bom Despacho – MG. Revista Árvore, v.27, n.1, p. 905-910, 2003.

SEPLAN. Atlas do Tocantins: subsídios ao planejamento da gestão territorial. 6. ed. Palmas: Secretaria do Planejamento e da Modernização da Gestão Pública, 80 p. 2012.

SEUBERT, R. C. et al. regeneração natural em diferentes períodos de abandono de áreas após extração de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden, em argissolo vermelho-amarelo álico, em Brusque, Santa Catarina. Ciência Florestal, v.27, n.1, p.1-19, 2017.

SILVA JR, M. C . et al. 100 árvores do cerrado - Matas de Galeria: guia de campo. Brasília – DF. Ed. Rede de sementes do Cerrado. 288 p. 2009.

SILVA JR, M. C. et al. 100 árvores do cerrado - sentido restrito: guia de campo. Brasília – DF. Ed. Rede de sementes do Cerrado, 2012. 304 p.

SILVA, J. M. Floresta urbana: Síndrome de dispersão e grupos ecológicos de espécies do sub-bosque. Revista Boletim de Geografia de Maringá, v.31,n.1, p.135-144, 2013.

SOUZA, P. B. et al. Composição florística da vegetação arbórea de um remanescente de cerradão, Paraopeba, MG. Revista Árvore, v. 32, n.4, p.781-790, 2008.

SOUZA, P. B. et al. Florística e estrutura da vegetação arbustivoarbórea no sub-bosque de povoamento de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden, em Viçosa, MG, Brasil. Revista Árvore, v.3, n.1, p.533-543, 2007.

SOUZA, P. B et al. Florística de uma área de cerradão na floresta nacional de Paraopeba – Minas Gerais. Revista Cerne, v. 16, n.1, p. 86-93, 2010.

SOUZA, P. B, et al. Florística e diversidade das espécies arbustivo-arbóreas regeneradas no sub-bosque de Anadenanthera peregrina (L.) Speg. Revista Cerne, v.18, n.3, p. 413-421,2012.

STEFANELLO, D. et al. Síndromes de dispersão de diásporos das espécies de trechos de vegetação ciliar do rio das Pacas, Querência – MT. Acta Amazônica, v.40, n.1, p. 141-150, 2010.

TRINDADE, N. P. O. et al. Síndromes de dispersão em um gradiente de Cerrado lato sensu no Estado do Tocantins. Revista Brasileira de Biociências, v.5, n.1, p. 897-898, 2007.
Publicado
2021-01-21
Como Citar
Campos Aguiar, B., Martins Santos, B., & Bezerra de Souza, P. (2021). Síndromes de dispersão da regeneração natural de uma área de cerrado sensu stricto e do sub-bosque de dois clones de Eucalyptus, Aliança-TO. Élisée - Revista De Geografia Da UEG, 10(1), e101213. Recuperado de https://www.revista.ueg.br/index.php/elisee/article/view/9402
Seção
Artigos