De Moçambique ao Brasil: um bioma da resistência

From Mozambique to Brazil: a biome of resistance

  • Dulcídio Manuel Albuquerque Cossa (Nyimpini Khosa) Universidade Rovuma
  • Jordana Cristina Alves Barbosa Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Cerrado. Savana. Ancestralidade. Tradição oral. Conhecimento.

Resumo

Neste trabalho exploramos como a tradição oral africana atravessou o oceano e deu continuidade à vida, desenvolvendo protagonismos políticos, médicos, culturais etc. Como uma forma de conhecimento opera em Moçambique e no Brasil, especificamente em territórios tomados pela savana e pelo cerrado. A partir de duas personalidades diferentes, porém convergentes e suas narrativas, explorando as vozes do cerrado e da savana, mestres do saber que usam a palavra como matéria prima do seu trabalho e têm a tradição oral africana como sua memória e biblioteca, disponíveis para sua comunidade. O ponto de encontro dos saberes nesses territórios destacados é a ancestralidade que aqui é entendida como uma categoria organizadora e estruturante da cosmovisão africana, mas é também um elemento de construção que atravessa o tempo-espaço capaz de ser perceptível nas dinâmicas sociais.

From Mozambique to Brazil: a biome of resistance

Abstract: In this paper we explore how the African oral tradition crossed the ocean and continued life, developing political, medical, cultural, etc. As a form of knowledge, it operates in Mozambique and Brazil, specifically in territories taken over by savanna and Cerrado. From two different, yet converging personalities and their narratives, we explore voices from the Cerrado and savanna, masters of knowledge who use the word as the raw material of their work and have the African oral tradition as their memory and library, available to their community. The meeting point of knowledge in these highlighted territories is the ancestry that is understood here as an organizing and structuring category of the African worldview, but it is also an element of construction that crosses the time-space capable of being noticeable in social dynamics.

Keywords: Cerrado. Savanna. Ancestrality. Oral tradition. Knowledge.

De Mozambique a Brasil: un bioma de resistencia

Resumen: En este artículo exploramos cómo la tradición oral africana ha cruzado el océano y ha dado continuidad a la vida, desarrollando protagonismos políticos, médicos, culturales, etc. Cómo opera una forma de conocimiento en Mozambique y Brasil, específicamente en los territorios ocupados por la sabana y el cerrado. De dos personalidades diferentes pero convergentes y sus narraciones, explorando las voces del cerrado y de la sabana, maestros del conocimiento que utilizan la palabra como materia prima de su trabajo y tienen la tradición oral africana como su memoria y biblioteca, a disposición de su comunidad. El punto de encuentro del conocimiento en estos territorios destacados es la ascendencia que se entiende aquí como una categoría organizadora y estructuradora de la cosmovisión africana, pero también es un elemento constructivo que atraviesa el tiempo-espacio capaz de ser perceptible en la dinámica social.

 Palabras-clave: Cerrado. Sabana. Ancestralidad. Tradición oral. Conocimiento.

Biografia do Autor

Dulcídio Manuel Albuquerque Cossa (Nyimpini Khosa), Universidade Rovuma

Doutorando e Mestre em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisador do Instituto de Ciências Sociais e Núcleo de Estudos da Religião da UERJ. Professor da Universidade Rovuma – Moçambique. Artista e escritor. Nyimpini Khosa é o nome africano do autor.

Jordana Cristina Alves Barbosa, Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas, mestra em Antropologia Social e bacharela em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás.

 

Referências

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Publicado
2021-01-12
Como Citar
(Nyimpini Khosa), D. M., & Alves Barbosa, J. C. (2021). De Moçambique ao Brasil: um bioma da resistência. Élisée - Revista De Geografia Da UEG, 10(1), e101212. Recuperado de https://www.revista.ueg.br/index.php/elisee/article/view/11327
Seção
Artigos