PROPAGANDAS DE CURSOS DE IDIOMA:

A VENDA DE UM BILINGUISMO IDEAL SOB A SOMBRA DO MONOLINGUISMO

  • Bruna Ang´élica Gonçalves

Resumo

Este artigo, a partir da perspectiva metodológica do estudo de caso (STAKE, 1994), se propõe a discutir as bases conceituais e ideológicas nas quais estão alicerçadas as propagandas de duas escolas de idiomas que desenvolvem seus trabalhos no Brasil. Para tanto, busco embasamento teórico em autores que discutem as ideias de monolinguismo e bilinguismo a partir de perspectivas cognitivistas e sociais (GARCIA, 2009; BAKER, 2006; BLOOMFIELD, 1933; GROSJEAN, 2010; MYERS-SCOTTON, 2006), bem como língua e sociedade (HARRIS, 1981; PINTO, 2012) e breves considerações sobre o gênero propaganda (BAKHTIN, 1997; LARA & SOUZA, 2016). As propagandas analisadas foram retiradas do domínio público da internet. As reflexões teóricas e empíricas indicam que a modernidade fundada sob o modelo capitalista/colonial impulsionou ideais monolíngues e bilíngues, ambos associados a ideia de pureza linguística. De modo geral, em ambas as propagandas há uma reprodução obscura (implícita) de ideais coloniais a partir de padrões linguísticos envolvendo as ideias de bilinguismo e monolinguismo em propagandas aparentemente motivadoras e/ou cômicas veiculadas nos meios de comunicação. As escolas de idiomas, ao venderem um bilinguismo ideal (português/inglês), pressupõe a sociedade brasileira como sendo monolíngue, anulando os inúmeros outros bilinguismos que circulam cotidianamente na dinâmica social do Brasil. Acima de tudo, percebemos o ranço colonial que institui padrões linguísticos de pureza e legitimidade a partir da hegemonia do império norte-americano. Pensar sobre tais aspectos, se traduz na não perpetuação de ideais, que, aparentemente simples, escondem a manutenção de um modelo epistemológico excludente e opressor.

Publicado
2021-12-22
Seção
Artigos