ESPAÇOS DE MEMÓRIA E PRÁTICAS URBANAS

NARRATIVA AUTORITÁRIA E ARQUITETURA NA EXPERIÊNCIA DE VILANOVA ARTIGAS DURANTE A DITADURA CIVIL-MILITAR BRASILEIRA

Palavras-chave: Direito e Arquitetura, Ditadura, Regimes de Exceção, Vilanova Artigas, Arte

Resumo

Visando uma compreensão multidisciplinar sobre a experiência autoritária brasileira entre as décadas de 1960 e 1980, discute o fenômeno por meio dos seus elementos narrativos e espaciais, tendo por base a vivência e obra do arquiteto João Batista Vilanova Artigas (1915-1985). Para tal, incialmente, explora-se as relações entre o espaço, a experiência sensorial e o uso da narrativa jurídica para a sua transformação e a materialização de políticas de exceção, de modo que; tendo por base a vivência e a obra de Vilanova Artigas, seja possível analisar como a prática arquitetônica é utilizada como forma de resistência e enfrentamento ao poder exercido pelo Direito em regimes autoritários para; por fim,  verificar a historicidade da experiência vivida pelo arquiteto curitibano numa perspectiva multifacetada – no Direito e na Arquitetura – e os seus contributos consectários ao debate democrático no tempo presente. Trata-se, desta forma, de pesquisa exploratória, realizada por meio, principalmente, de revisão bibliográfica e consulta documental, cujos dados levantados são objeto de análise qualitativa.

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Publicado
2022-08-09
Como Citar
AGAPITO, V. H. D. ESPAÇOS DE MEMÓRIA E PRÁTICAS URBANAS. Atâtôt - Revista Interdisciplinar de Direitos Humanos da UEG, v. 3, n. 1, p. 55-73, 9 ago. 2022.
Seção
Artigos