CHAMADA PARA DOSSIÊ - EPIDEMIAS NO BRASIL: CULTURA E ESTÉTICA DAS DOENÇAS

2021-04-19

Nesse Dossiê propomos congregar análises que versem sobre a cultura e estética das doenças e epidemias no Brasil em perspectiva histórica. Inseridos em um cotidiano pandêmico, e impelidos pelas questões socioculturais gerados pela covid19, causada por um vírus novo na história da humanidade (o SARS-CoV-2), lembramos que as doenças e epidemias são objetos que recaem sobre o corpo, se exprimem e estão inter-relacionadas a todos os aspectos da vida humana: a cultura, a sociedade, a política. A ampliação do campo da História, operado na segunda metade do século XX por meio do acolhimento de análise de novos objetos, fontes documentais e aportes teóricos de abordagem, graças ao diálogo cada vez mais vantajoso da História com várias áreas do conhecimento – como a Antropologia, Sociologia, Biologia, Medicina – tem ampliando o universo de investigação dos historiadores. Neste contexto de inovações, a saúde e das doenças, percebida como objeto historicamente situado, deixou de ser domínio exclusivo dos médicos, ensejando diálogos profícuos entre pesquisadores interessados na humanização da medicina, nos infortúnios relacionados a saúde e ao adoecer. Nesse processo de alargamento e de diálogo no campo historiográfico, o corpo, o homem doente e sua história, foram identificados como novo objeto (Revel e Peter, 1995). E inseridos nas novas perspectivas da escrita histórica, que preconizava a necessidade de estudar um corpo desnaturalizado e percebido como construto inerente as culturas e sociedades específicas (Roy Porter, 1992). Transformações que dialogam com a emergência das linguagens estéticas, a filmografia (Ferro, 1995), a literatura (Starobinski, 1976) e a arte (Zerner, 1976), identificados enquanto novos objetivos ou abordagens, em intercâmbio no campo historiográfico. As doenças, no corpo, narrado e exposto pelo olhar externo ou percebido de seu interior pelas narrativas autobiográficas apareciam em sua materialidade como fundamental para a compreensão da vivencia da experiência das enfermidades, como a loucura (Roy Porter, 1987), e na interpelação da história social e da cultura. Percebe-se, portanto, a urgência de refletir historicamente sobre a relação saúde e doenças, recolocando-a no campo das relações humanas e de suas expressões socioculturais e políticas. Assim, nesse dossiê, são bem acolhidos artigos de pesquisadores das áreas das ciências humanas que investiguem o campo  por intermédio de uma abordagem polifônica, multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar que alcance a pluralidade da temática proposta que compreendem as seguintes abordagens: imagens e linguagens da saúde e das doenças, saberes médicos e profissionais de saúde, história natural das doenças, intervenções sanitárias e epidemias, história sociocultural das doenças e sociedade, políticas e instituições de saúde, estado poder e epidemias e pandemias...

 

Organização: 

Dra. Leicy Francisca da Silva (UEG)

Dra. Sônia Maria de Magalhães (UFG)

 

Prazo final de  submissão: 13 de março de 2022. 

 

Página de submissão: https://www.revista.ueg.br/index.php/revistanos

 

Referências:

FERRO, Marc. O filme: uma contra-análise da sociedade? In História: novos objetos. Direção de Jacques Le Goff e Pierre Nora. Rio de Janeiro, F. Alves, 1995.

PETER, Jean-Pierre e REVEL, Jean. O corpo: o homem doente e sua história. In História: novos objetos. Direção de Jacques Le Goff e Pierre Nora. Rio de Janeiro, F. Alves, 1995.

PORTER, Roy. De bobos a marginais. In uma história social da loucura. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1987.

PORTER, Roy. História do corpo. In A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992.

STAROBINSKI, Jean. A literatura. In História: novas abordagens. Direção de Jacques Le Goff e Pierre Nora. Rio de Janeiro, F. Alves, 1976.

ZERNER, Henri. A arte. In História: novas abordagens. Direção de Jacques Le Goff e Pierre Nora. Rio de Janeiro, F. Alves, 1976.