Parresía e historiografia feminista no Brasil a partir de Michel Foucault: convergências possíveis

Parresia and feminist historiography in Brazil from Michel Foucault: possible convergences

  • Flavia da Rosa Melo UFPR

Resumo

Uma das constatações a que Michel Foucault chega a partir do estudo de textos da Antiguidade clássica é de que é historicamente verificável que outras formas de existir e se relacionar com o mundo constituíram-se também e através da crítica de si, da reflexão sobre a atividade sexual, e da busca por um aperfeiçoamento do indivíduo e o comprometimento com a parresía, com a coragem da verdade. Tal constatação é salutar para a pesquisa e a Teoria da História pois, ao dar subsídio crítico para considerar a pluralidade e a capacidade do indivíduo de (re)construir de forma ativa e partícipe em relação aos modos de subjetivação, também demonstra a possibilidade – e necessidade – de se considerar as lutas e os modos de produção de subjetividade como objeto histórico e de disputa política. É possível a partir da análise filosófica proposta por Foucault criticar e historicizar a noção de sujeito e o indivíduo ético moderno por serem frutos e partícipes de uma moral jurídico-normativa historicamente vencedora, mas não única. Estudos desdobram tal perspectiva sobre existências enquanto obras de arte e sobre a questão ética da coragem da verdade, delineando seus percursos de problematização em um caminho de busca crítica por onde se manifestam o governo das condutas e a luta pela autonomia. Em especial, tais imagens sobre o cuidado de si, as artes do viver e a própria parresía são muito caras a algumas vertentes da crítica feminista. A proposta deste artigo é, portanto, de problematizar como os estudos de gênero e uma historiografia feminista dialoga e problematiza a própria história a partir do historiador-filósofo, primeiro de uma forma mais ampla, e em seguida, verticalizando tal reflexão em uma obra historiográfica.

 

Publicado
2021-11-12
Seção
Artigos