CHAMADA PARA O DOSSIÊ: “100 ANOS DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) (1922-2022): PROCESSOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS, SOCIAIS, TEÓRICOS E CULTURAIS”

2021-08-18

Coordenação: Prof. Dr. Rodrigo Jurucê Mattos Gonçalves (UEG) e Prof. Me. Denilton Novais Azevedo (doutorando UFPR)

Recebimento dos artigos: até 15 de fevereiro de 2022

Publicação do dossiê (previsão): março de 2022

Ementa: O dossiê tem por objetivo a publicação de artigos originados em pesquisas referentes à centenária organização da esquerda brasileira, nos aspectos: histórico, político, social, teórico (marxismo) e cultural. Em 25 de março de 2022, o PCB completa cem anos de existência que se integra à classe trabalhadora brasileira e ao Brasil republicano. 

Na cerimônia de fundação em Niterói, no Rio de Janeiro, estavam presentes o jornalista do Rio de Janeiro Astrojildo Pereira, o barbeiro originário do Líbano Abílio Nequete, o contador pernambucano Cristiano Cordeiro, o gráfico paulistano João da Costa Pimenta, o eletricista da cidade de Cruzeiro Hermogênio da Silva Fernandes, o alfaiate do Rio de Janeiro Joaquim Barbosa, o sapateiro do Rio de Janeiro José Elias da Silva, o alfaiate espanhol, Manoel Cedón e o vendedor de vassouras do Rio de Janeiro, Luís Peres. Desde a origem, o PCB enfrentou condições dificílimas de atuação, encontrou aqui um cenário pouco favorável para a recepção do comunismo. Na época, o movimento operário e sindical encontrava-se desarticulado, resultado dos quatro últimos anos de estados de sítio decretado pelo presidente Arthur Bernardes e, como consequência, sua política de perseguições policiais, prisões e deportações de importantes lideranças operárias. A situação internacional era também hostil à difusão das ideias comunistas, com o refluxo da revolução mundial e estabilização do capitalismo. Ainda assim, os dirigentes pecebistas logo perceberam a necessidade de construção de uma teoria revolucionária alicerçada no marxismo, referencial que serviria para ação organizada da classe operária. Tendo sobrevivido às perseguições políticas e ditaduras, seus integrantes jamais deixaram de pensar na construção da revolução brasileira. 

A história do PCB se refere, igualmente, à história da esquerda brasileira em suas diferentes fases, sendo também um importante núcleo da cultura nacional, que abrigou intelectuais, artistas, movimentos, revistas, jornais e demais expressões culturais. Ademais disso, a trajetória do PCB está no cerne da história do marxismo no Brasil, sendo um dos responsáveis por sua recepção, nacionalização, desenvolvimento e difusão. Um século depois de seu surgimento, o PCB é uma referência histórica incontornável da esquerda e da política brasileira, bem como uma fonte de compreensão de nossa história republicana vista a partir da dissidência e dos “de baixo”.