EVENTOS CIENTÍFICOS EM SAÚDE: ESPAÇOS DE ENCONTRO, REFLEXÃO E AMADURECIMENTO DO CONHECIMENTO

Autores

  • Cibelle Kayenne Martins Roberto Formiga
  • Luciana Guilherme

Palavras-chave:

formação continuada, congressos científicos, redes de colaboração

Resumo

A velocidade da informação tem sido a marca evidente da atualidade. Em meio à expansão das plataformas digitais, profissionais e estudantes da área da saúde têm acesso a uma infinidade de conteúdo, muitas vezes instantaneamente. Vídeos curtos, postagens técnicas, resumos gráficos e inteligência artificial generativa transformaram o modo como se busca e se consome conhecimento. Entretanto, essa mesma agilidade impõe riscos à qualidade da formação acadêmica quando substitui o aprofundamento conceitual e a análise reflexiva pelos profissionais e pesquisadores.

A área da saúde é um campo de atuação que exige mais responsabilidade científica e ética na divulgação da informação. A complexidade dos fenômenos em saúde não pode ser reduzida a soluções rápidas ou aplicadas sem o devido rigor científico. É por isso que os eventos científicos seguem sendo espaços de atualização, intercâmbio e construção coletiva do saber. Ao contrário do consumo passivo de informações, esses encontros estimulam a escuta ativa, o debate fundamentado, o contato com diferentes realidades profissionais e a maturação de ideias [1,2].

A formação continuada tem sido apontada como um dos fatores que impactam positivamente nos desfechos clínicos e na qualidade dos serviços de saúde. Um estudo recente destaca que a participação regular em atividades de educação permanente melhora a segurança do paciente, a eficácia das intervenções e o desempenho dos profissionais [2]. Por outro lado, é necessário sermos críticos quanto a qualidade cientifica dos eventos e identificar quais instituições que os promovem, pois tem crescido também no nosso meio o número de eventos de caráter predatório ou puramente com fins comerciais.

Diante deste cenário, temos assistido um movimento de desinteresse dos profissionais e alunos da pós-graduação quanto a participação em eventos científicos presenciais. Isso traz à tona uma realidade complexa e multifatorial, que pode envolver barreiras pessoais, financeiras, geográficas e motivacionais. Dentre os principais fatores relatados na literatura estão a sobrecarga curricular, falta de tempo, ausência de apoio institucional, experiências prévias limitadas e baixa percepção de relevância dos eventos na sua prática profissional. Superar tais obstáculos é tarefa para toda comunidade científica, pois são nesses espaços que se fortalece a crítica, se combate a desinformação e se evita a fragmentação do conhecimento [3,4,5].

Eventos consolidados e de qualidade reconhecida, têm cumprido um papel fundamental na consolidação de práticas baseadas em evidências. Durante esses eventos, pesquisadores e profissionais compartilham resultados de investigações, discutem metodologias, apresentam experiências de ensino e extensão, além de refletirem sobre os desafios que atravessam os sistemas de saúde [3,4]. Além disso, um dos aspectos mais valiosos desses encontros é a formação de redes colaborativas. O trabalho em rede fortalece o desenvolvimento de projetos interinstitucionais, a criação de grupos de pesquisa e a articulação entre diferentes campos do conhecimento [3]. Estudos apontam que redes profissionais bem estruturadas podem ampliar o alcance e a qualidade da assistência em saúde, contribuindo para soluções inovadoras, especialmente em contextos desafiadores [5]. O fortalecimento de vínculos entre instituições de ensino, serviços de saúde e sociedade civil é condição essencial para o avanço científico e para a produção de conhecimento alinhado com as necessidades da comunidade.

Do ponto de vista político-profissional, os eventos científicos também se destacam como espaços de articulação entre associações de classe, conselhos profissionais e sociedades científicas. São momentos estratégicos para discutir diretrizes curriculares, regulamentações, financiamento à pesquisa, valorização profissional e políticas públicas. A convergência dessas pautas, quando construída de forma dialógica, contribui para a qualificação da formação e da prática em saúde [5,6].

Outro ponto a ser destacado é o papel dos eventos no enfrentamento da fragmentação do conhecimento. Apesar de democrática, a facilidade de acesso à informação frequentemente traz consigo a banalização de conteúdos técnicos e a disseminação de dados não verificados. Nesse cenário, os eventos científicos funcionam como filtros de qualidade e espaços de validação por pares, o que confere maior confiabilidade às informações ali discutidas [5].

Nesse cenário, a Revista Movimenta tem assumido um papel ativo e coerente com sua missão institucional. Além de divulgar pesquisas científicas nas áreas da saúde, a revista tem sido parceira nesta rede colaborativa, auxiliando com a publicação dos anais destes eventos. Essa atuação fortalece a disseminação do conhecimento produzido coletivamente e amplia o alcance das discussões promovidas em encontros regionais e nacionais.

Com isso, reafirmamos a importância de manter e ampliar os espaços de encontro entre pesquisadores, docentes, profissionais e estudantes. Eventos científicos são mais do que atividades extracurriculares: são dispositivos estratégicos para a qualificação da formação, o estímulo à pesquisa e o fortalecimento da ciência interdisciplinar. Em tempos de imediatismo e sobrecarga informacional, esses encontros nos lembram da importância de construir conhecimento com tempo, criticidade e responsabilidade social.

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Biografia do Autor

  • Cibelle Kayenne Martins Roberto Formiga

    Docente da Universidade Estadual de Goiás 

  • Luciana Guilherme

    Docente da Universidade Estadual de Goiás 

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Publicado

03-10-2025

Edição

Seção

Editorial

Como Citar

EVENTOS CIENTÍFICOS EM SAÚDE: ESPAÇOS DE ENCONTRO, REFLEXÃO E AMADURECIMENTO DO CONHECIMENTO. (2025). Movimenta (ISSN 1984-4298), 18(2), e20250016. https://www.revista.ueg.br/index.php/movimenta/article/view/17189