Análise dialógica do “Juridiquês” em posts do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Facebook
Mots-clés :
Estudos bakhtinianos, Linguagem jurídica , Posts no FacebookRésumé
Este artigo aborda o tema da acessibilidade da linguagem jurídica – “juridiquês” – apresentando ações que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) promoveu, por intermédio de enunciados do gênero post em sua página, no Facebook em 2021, para tornar o discurso jurídico compreensível ao público leigo. Nesse sentido, foram analisados dois posts coletados da página do STJ no Facebook, buscando observar como respondiam a outros enunciados pré-existentes que materializaram discursos que consideram a linguagem jurídica pouco acessível à população brasileira e como buscavam romper com esse discurso. A pesquisa foi fundamentada teórica e metodologicamente na perspectiva bakhtiniana da linguagem, trazendo à tona o estudo das noções de diálogo, enunciado e gêneros do discurso, especialmente. Assim, foi possível depreender que apesar de afirmar interesse em tornar acessível seu conteúdo jurídico no Facebook, a linguagem utilizada pelo STJ para a elaboração desses enunciados ainda é carregada de terminologias e tecnicismo, advindos do discurso de especialista do ramo jurídico.
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