Lugares vazios e horizonte de expectativas: a estética da recepção no romance Sede, de Amélie Nothomb
Palabras clave:
Sede, Amélie Nothomb, Estética da Recepção, Horizonte de ExpectativasResumen
No romance Sede, de Amélie Nothomb, Jesus é o narrador e personagem principal, que busca, por meio de suas reflexões em seus últimos momentos na Terra, compreender por que se deixou ser crucificado. Essa temática atravessa a história pessoal da autora que, ao entrar em contato com a narrativa bíblica sobre a crucificação de Jesus, reelaborou-a, por meio da escrita do romance, a fim de conferir-lhe novos sentidos. Partindo-se da premissa de que o autor de textos literários é, antes de tudo, um leitor, encontramos, na teoria denominada Estética da Recepção, as ferramentas conceituais que nos possibilitaram analisar como este romance, ao retratar e reescrever o episódio da Paixão de Cristo de forma inovadora, expõe lacunas e lugares vazios que possibilitam ao leitor o rompimento e ampliação do seu horizonte de expectativas e a elaboração de novos sentidos associados a essa temática. Neste estudo buscou-se, portanto, analisar o romance Sede, de Amélie Nothomb, pela perspectiva da Estética da Recepção, tendo como principais referenciais teóricos Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser. Por fim, conclui-se que a obra aqui estudada possibilita aos leitores a construção de novos sentidos e representações sobre diversos temas, tais como sofrimento, fé, amor, culpa e perdão, na medida em que os lugares vazios nela contidos favorecem a ampliação dos horizontes de expectativas, contribuindo, assim, para uma experiência transformadora por meio da literatura.
Referencias
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