Tudo vira escrita: uma leitura de Algum Lugar, de Paloma Vidal

  • Naiara Speretta Ghessi UNESP

Resumo

RESUMO: Este trabalho propõe-se a analisar o romance Algum Lugar, publicado em 2009 por Paloma Vidal, a partir do fenômeno da autoficção, um neologismo criado pelo escritor francês Serge Doubrovsky em 1977 e que, desde então, tem levantado muitas discussões nos estudos literários. Embora a narração do “eu” sempre tenha sido um tema presente no panorama literário nacional, nota-se cada vez mais a insurgência de narrativas centradas no eu e em suas subjetividades, como é possível observar em algumas das obras de Silviano Santiago, Tatiana Salem Levy e Ricardo Lísias, por exemplo. O ponto de partida deste trabalho reside na problematização da primeira definição do termo autoficção, de modo a pensar em como esse conceito de origem francesa é utilizado nas narrativas brasileiras contemporâneas. Algum Lugar tem como tema o deslocamento, a solidão e a estraneidade da  narradora/protagonista - que não é nomeada na narrativa, uma carioca que se muda para Los Angeles com o namorado, nomeado apenas com a inicial M, para cursar doutorado sanduíche e escrever a sua tese. Ao retornar ao Brasil, ela gera um bebê e, posteriormente, decide acompanhar a sua mãe juntamente com o filho em uma viagem para a Argentina, país de origem desta. A narrativa é construída de forma fragmentada e a narradora escreve sobre as suas experiências, sonhos e questionamentos. No paratexto do romance, nos é informado que assim como as línguas e culturas se mesclam na narrativa, as fronteiras entre personagem e autora estão diluídas, ou seja, estamos diante do terreno movediço da autoficção. A partir disso, busca-se apresentar o termo criado por Doubrovsky e refletir sobre a possibilidade desse conceito iluminar a leitura do romance de Paloma Vidal.

Publicado
2021-06-14
Seção
Artigos