A FORMAÇÃO DAS CLASSES SOCIAIS RURAIS NO BRASIL: BREVE ANÁLISE HISTÓRICA DA CONCENTRAÇÃO FUNDIÁRIA

  • Denise Gabriela Dias

Resumo

O processo de constituição da propriedade privada no território brasileiro inicia com a chegada europeia no litoral e, com a percepção dos potenciais comerciais de exploração, se consolida através dos instrumentos jurídicos de transmissão de posse impostos pelo regime português. No âmago das relações que se estabeleceram, percebe-se o embrião das disparidades sociais propiciadas pelas situações de concentração e exploração da terra no Brasil: a detenção latifundiária e a expropriação da mão de obra despossuída. As atividades econômicas que posteriormente se desenvolvem – a produção da cana de açúcar e a pecuária – reforçam essa conformação social e corroboram para que a relação de dominação extrapole o cenário produtivo e adquira conotações políticas personificadas através dos coronéis. Com o fim do regime escravocrata e a adoção de mão de obra livre nas lavouras cafeeiras no sudeste e a expansão da pecuária extensiva nas demais regiões brasileiras, a propriedade da terra no Brasil altamente concentrada e voltada para a produção exportável passou a ser palco de tensões e diversas disputas que perduram até os tempos atuais.

 

Publicado
2020-08-22
Seção
Artigos