EXU NAS ESCOLAS:

POR UM ENSINO DECOLONIAL E CRÍTICO

  • ROGERIO GOMES PEREIRA JUNIOR Universidade Estadual de Goiás
  • Lúcia Gonçalves de Freitas Universidade Estadual de Goiás

Resumo

Este artigo apresenta algumas reflexões sobre temas concernentes à educação e às escolas em nosso país na atualidade, como colonialismo, racismo, religião, transgressão e crítica. A partir de trechos da letra da música “Exu nas escolas”, composta por Kiko Dinucci e Edgar e interpretada por Elza Soares, o texto traz uma série de considerações sobre como nossa Educação deveria se amparar em perspectivas que são defendidas pelos estudos críticos e decoloniais. O ponto de partida é uma caracterização do Exu, deus iorubano, que na canção é trazido para as escolas, como uma figura que incorpora certa primordialidade a partir de uma cosmovisão impressa no mito da formação do mundo nas religiões de matizes africanas. Essa força primordial, e a mesma potência de criação do Exu, são associadas a figuras como Paulo Freire, considerado personagem primordial e fundante do que se convencionou chamar de Pedagogia Crítica. Ao longo das reflexões sobre os trechos da canção, o artigo se opõe às dinâmicas colonialistas que promovem processos de subalternização e escravização, trazendo apagamento de sujeitos e de conhecimentos. A discussão se opõe à defesa de uma escola que privilegia um ensino conteudista e acrítico, nos moldes da chamada “Escola sem Partido” e posições afins. Ao contrário, advoga-sepor uma pedagogia que apoie a diversidade e que mostre como o conhecimento que está associado à herança negra, e que na canção é corporificado na metáfora do Exu, é legítimo e potente.

Publicado
2020-07-08